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Romário de Souza Faria, mais conhecido como Romário (Rio de Janeiro, 29 de janeiro de 1966), é um ex-futebolista brasileiro que atuava como atacante. Atualmente, é deputado federal eleito em sexto lugar no Rio de Janeiro, pelo PSB.

o baixinho

Conhecido popularmente como "Baixinho", o jogador ainda teve uma breve experiência como treinador, dirigindo o Vasco da Gama, clube com o qual é mais identificado: como jogador, passou em quatro diferentes momentos pelo time, onde iniciou e encerrou a carreira como jogador. Também conseguiu ser ídolo nos rivais Flamengo e Fluminense.

É também o terceiro maior artilheiro da Seleção Brasileira, com cinquenta e cinco gols marcados. É um dos maiores centroavantes brasileiros, e do futebol mundial, de todos os tempos. Entre seus muitos títulos, destaca-se a Copa do Mundo de 1994, na qual foi a figura principal. Na época do mundial, era jogador do Barcelona, e encantou até o duro treinador da equipe, Johan Cruijff, autor de um dos famosos apelidos do atacante: "gênio da grande área". Cruijff também se incluiu entre aqueles muitos que creditam a vitória do Brasil em 1994 primordialmente ao desempenho do atacante:

Para mim, os 1990 foram anos que não tiveram um só rei, mas está claro que Romário foi, junto com outros dois ou três jogadores, o que de mais brilhante nos ofereceu essa década. Na verdade, eu estou convencido de que o Brasil não ganharia o Mundial dos Estados Unidos se ele não tivesse jogado. Isso já é muito

— Johan Cruijff

O neerlandês declararia também que "Ele tinha uma qualidade fantástica no seu futebol. Mesmo sem trabalhar duro, podia criar jogadas geniais" No mesmo sentido já disse Hristo Stoichkov, dupla de ataque do brasileiro naquele Barcelona: "Nunca vi um jogador fazer as coisas que ele fazia dentro da área". Tostão foi outro a render homenagens a Romário, afirmando que, se pudesse, deixaria seu lugar para o Baixinho na escalação da Seleção Brasileira de 1970.

Romário também se caracterizaria por desavenças com técnicos, ex-jogadores e colegas, além de sua boemia e aversão a treinamentos. "Nunca fui atleta. Se eu tivesse levado uma vida regrada como atleta, eu teria feito muito mais gols, mas não sei se seria feliz como sou hoje", diria em 2004.

Em maio de 2007, Romário tornou-se o segundo brasileiro que se tem registro a chegar à marca do milésimo gol na carreira futebolística. No mesmo ano, seu nome batizou o estádio do Duque de Caxias, cujo nome popular também lhe faz referência: Marrentão.

 

Infância e juventude

 

Filho de Edevair de Souza Faria e Manuela Ladislau Faria, morou na comunidade do Jacarezinho até os três anos de idade, quando mudou-se para a Vila da Penha. Lá jogou no time de futebol do Estrelinha, fundado por seu pai, o que era uma maneira de incentivá-lo à prática dos esportes. É no asfalto e nas quadras de futebol de salão que aprende a jogar.[6] Com pouco tempo já era destaque entre os garotos, e já jogava entre os mais velhos.

Em 1979, um olheiro o levou para fazer testes no infantil do Olaria. Destaque entre os jogadores da equipe, foi levado depois ao Vasco, mas foi obrigado a fazer um "estágio" de um ano, pois o jogador não tinha condições legais de ingressar no clube por causa de sua tenra idade.

 

Carreira em clubes

 

Início no Vasco

No Vasco, Romário iniciou a sua carreira profissional em 1985, promovido ao time principal por Antônio Lopes.[6] Sua estreia em jogos oficiais ocorreu em 6 de fevereiro, na vitória vascaína por 3 a 0 sobre o Coritiba, partida válida pelo Campeonato Brasileiro. Romário entrou no segundo tempo, no lugar de Mário Tilico.Já seu primeiro gol foi marcado a 18 de agosto, em um amistoso contra o time do Nova Venécia, marcando duas vezes em uma goleada de 6 x 0 sobre a equipe capixaba.

Começou a chamar a atenção de torcedores e jornalistas já no Campeonato Carioca de 1985, onde foi vice-artilheiro. Considerado uma grande revelação, assinou seu primeiro contrato profissional em 1986, ano em que fez dupla de ataque com o consagrado jogador Roberto Dinamite, em um elenco vascaíno que ficaria marcado por contar com os dois maiores ídolos da história recente do clube, mesclando também outros veteranos consagrados e jovens talentos. Dinamite diria, mais tarde: "Você sabe o que é jogar ao lado do Romário de 20 anos de idade? Era só jogar a bola para ele. Das três que chegavam no pé, duas ele colocava dentro do gol".

Romário, naquele ano, venceu a Taça Guanabara de 1986, seu primeiro título como profissional, marcando duas vezes na final contra o Flamengo. Mesmo ao lado de Dinamite, foi o garoto o artilheiro do Campeonato Carioca do mesmo ano, com um gol a mais que o veterano ídolo. Porém, os rubro-negros venceriam o segundo turno e acabariam derrotando o Vasco nas finalíssimas. O desempenho no Estadual chegaria a cotar a jovem revelação para a Copa do Mundo do México, também naquele 1986.

Em 1987 e 1988, o Baixinho marca época no Vasco, faturando o bicampeonato carioca, em ambas as vezes contra o Flamengo, devolvendo a perda do título de 1986. Na decisão de 1988, marca um gol histórico contra o arquirrival, aplicando um lençol no goleiro Zé Carlos e quase entrando no gol junto com a bola.Naquele ano, já declara sua ambição de fazer mil gols, tal como Pelé: "Tenho 22 anos e garanto que ainda vou impressionar muita gente. Podem me cobrar. Vou chegar ao milésimo gol".

Em 1988, conquista novo campeonato Carioca e integra a Seleção Brasileira que vai às Olimpíadas de Seul. Romário termina os Jogos Olímpicos como artilheiro com seis gols, um deles na final. O PSV Eindhoven, recém-campeão da Copa dos Campeões da UEFA, aparece e contrata duas estrelas daquelas Olimpíadas: ele e o zambiano Kalusha Bwalya.

 

PSV Eindhoven

Romário transferiu-se para o PSV por US$ 5 milhões, sendo na época a mais cara contratação brasileira por um clube estrangeiro.[6] O técnico da equipe neerlandesa, Guus Hiddink, veio pessoalmente ao Brasil para participar das negociações.[10]

Encerra com perfeição sua primeira temporada no clube da Phillips: é artilheiro e campeão do Campeonato Neerlandês e fatura também a Copa dos Países Baixos. Na Copa dos Campeões da UEFA, encara pela primeira vez um futuro rival, o Real Madrid. Marca na duas partidas, mas é os espanhóis quem avançam, na prorrogação, para as semifinais.[9] Ele perde apenas as decisões tidas como secundárias pelos europeus: o Mundial Interclubes, em que ele empata a partida contra os uruguaios do Nacional a quinze minutos do fim; o jogo vai para a prorrogação, com virada do PSV, que sofre o empate no último minuto do tempo extra. Ele converte a sua cobrança na decisão por pênaltis, mas o adversário vence nela por 7 x 6. Já na Supercopa Europeia, o título é perdido após a equipe vencer os belgas do Mechelen por apenas 1 x 0 em casa, após perder por 0 x 3 fora.

Na temporada de 1989/90, Romário é novamente artilheiro da Eredivisie e volta a ganhar a Copa nacional e torna-se ainda o primeiro brasileiro chamado para uma Copa do Mundo atuando por uma equipe dos Países Baixos - todavia, uma lesão no tornozelo ocorrida a três meses do torneio pelo próprio PSV praticamente o priva de jogar mundial.[2] Sem ele nas rodadas finais, o PSV perdeu o campeonato por um ponto para o Ajax, dando certa razão a uma declaração de seu principal atacante: "O PSV depende de mim. Todos sabem que a equipe não tem condições de jogar sem Romário"[2] De fato, sua importância era tal que a diretoria o perdoou mesmo após um pequeno escândalo, em que fotos suas disputando animadas partidas de futebol de areia no Rio de Janeiro chegaram ao clube - Romário havia conseguido ser liberado pelo PSV com a desculpa de tratar o problema no tornozelo.[5]

O Baixinho recupera-se bem da lesão e, na temporada 1990/91, é novamente artilheiro e campeão da Eredivisie, com um sabor especial para a torcida: o PSV, até então a terceira força do futebol neerlandês iguala, em número de títulos no campeonato, o Feyenoord, ultrapassado na de 1991/92, com um bicameponato seguido da equipe de Eindhoven. A temporada 1992/93, em que o Feyenoord ganha e se iguala momentaneamente ao PSV, é primeira de Romário na Holanda em que ele não fatura títulos; ainda assim, sua artilharia na Copa dos Campeões da UEFA, mesmo com o PSV caindo em último na fase de grupos, impressiona um holandês em especial: Johan Cruijff, que na época treinava com sucesso o Barcelona.

O clube espanhol é convencido a comprar Romário, fazendo-o por US$ 4,5 milhões.[2] Romário despediu-se do PSV com um total de 174 gols marcados.[9] Embora sua passagem por ele geralmente seja pouco lembrada, o clube de Eindhoven foi o que Romário mais conquistou títulos. Guus Hiddink, seu treinador, declararia:

O jogador mais interessante com quem já trabalhei foi Romário. Era o tipo de cara que fazia gols com facilidade. Antes de partidas cruciais, quando se está um pouco nervoso, ele chegava para mim e dizia "coach, tranquilo, Romário vai marcar e nós vamos ganhar". E ele realmente marcava. Nem todas as vezes, mas em oito de dez jogos como aqueles ele marcaria o gol da vitória[10]

— Guus Hiddink

 

Barcelona

Romário tem um início arrasador no clube catalão. Na pré-temporada, marca quatorze gols em oito partidas.[9] Conseguiu também, para a surpresa geral, a amizade do temperamental Hristo Stoichkov, que não escondera da imprensa seu descontentamento inicial com a chegada de um quarto estrangeiro - na época, as regras só permitiam três em campo, e o Barcelona já reunia, além do búlgaro, o neerlandês Ronald Koeman (ex-colega de PSV) e o dinamarquês Michael Laudrup, todos já consagrados no clube.[4] De fato, Cruijff teve de revezar os quatro em um rodízio que pouco os agradava.[4]

A temporada 1993/94 desenrola-se com o Barcelona em busca de um tetracampeonato seguido. O ápice dá-se em um El Clásico, em que Romário marca três vezes e dá uma assistência em um 5 x 0 contra o Real Madrid.[4][11] O outro time da capital espanhola também não se livra do Baixinho: nos dois duelos contra o Atlético de Madrid, Romário marca também três vezes, em cada um, ambos vencidos pelo Barça - 4 x 3 no primeiro turno e 5 x 3 no segundo.[9] Mas a partida contra o Real é o marco: a partir dela, o Barcelona soma 28 pontos em 30 possíveis nas partidas restantes e consegue, na última rodada, faturar um título que parecia perdido para o Deportivo La Coruña de Bebeto e Mauro Silva.[4]

Romário emenda o título no Campeonato Espanhol com nova artilharia, recebendo a alcunha de Matador de Porteros.[12] Cruijff se rende ao brasileiro, que vinha se permitindo até a apostar com o técnico liberações para ir ao Brasil caso marcasse dois gols em um jogo - aposta que ele frequentemente ganhava.[9] Todavia, ele não consegue o mesmo sucesso na Liga dos Campeões da UEFA: o time chega à final, mas ele marca apenas duas vezes, ambas na primeira fase, ambas em cada duelo contra o Spartak Moscou.[9] Na final, os favoritos blaugranas são goleados por 0 x 4 para o Milan.

A temporada 1994/95, apesar da saída de Laudrup para o arquirrival Real Madrid, começa inspiradora: Romário volta a Barcelona como campeão e grande destaque da Copa do Mundo de 1994, torneio onde Stoichkov também destacara-se como artilheiro e condutor de uma campanha histórica da Bulgária a um quarto lugar. O Barcelona havia contratado ainda outra estrela da Copa, Gheorghe Hagi, respondendo ao Real (onde o romeno havia jogado). E é justamente na Liga dos Campeões que Romário teria uma última noite de gala no Camp Nou, em que a dupla com Stoichkov marca três vezes em um 4 x 0 sobre o Manchester United. "Não pudemos com a velocidade de Stoichkov e Romário. A rapidez com que atacavam era algo totalmente novo", declararia o técnico britânico, Alex Ferguson.

Porém, Romário não duraria mais do que aquele semestre na Espanha: desejando voltar ao Brasil, força sua saída do Barcelona, seduzido pela proposta do Flamengo. "Romário nunca voltou de fato depois da Copa do Mundo. Seu corpo estava em Barcelona, mas sua mente estava no Rio", declararia Stoichkov, de quem o brasileiro chegara a se distanciar. O Barcelona teve de aceitar e vendeu-o pela mesma quantia desembolsada um ano e meio antes, quando o comprara do PSV: US$ 4,5 milhões.

No Barcelona, Romário viveu o período mais brilhante tido pelo clube até então,[2] momento bastante acompanhado por telespectadores do mundo inteiro, com muitos deles passando a torcer pelo Barça a partir dali.[14] Ele também acabaria responsável por reiniciar a trajetória de sucesso de jogadores brasileiros na equipe. Até então, o único que fora ídolo havia sido Evaristo, na década de 1950. Entre ambos, passaram pelo clube outros seis brasileiros, incluindo Marinho Peres e Roberto Dinamite, todos sem êxito.[15] Depois da passagem fugaz, mas brilhante, de Romário, o Barça teria sucesso particular com outros brasileiros de nomes iniciados em R - Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho, além também de Giovanni, Thiago Motta, Edmílson, Belletti, Daniel Alves e Deco (este, após naturalizar-se português).

 

Flamengo

No início de 1995 o Flamengo contrata o jogador, em uma inusitada jogada de marketing, após cerca de três a quatro meses de negociações com o Barcelona, facilitadas com a colaboração do próprio Romário. O negócio foi feito graças a uma mobilização de empresas desejosas em ter, em contrapartida, a imagem do craque - recém-eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA em 1994 devido ao seu papel decisivo no tetracampeonato mundial brasileiro: para isso, Brahma, Banco Real, Rede Bandeirantes e Multiplan forneceram os recursos para a contratação do Baixinho.[13] Como grande contratação do ano em que o Flamengo festejava seu centenário, Romário chegou festejado pelos flamenguistas, a despeito de desqualificar Zico: "Eu ganhei uma Copa, ele não".[5] Ele chega também declarando juras de amor ao Flamengo, apesar de seu início no Vasco.[5][16] Ofusca a chegada de outro tetracampeão, curiosamente também consagrado em um rival, o Fluminense: Branco.

Romário começou bem, conseguindo o título da Taça Guanabara de 1995 marcando três vezes na final contra o Botafogo. O título estadual, todavia, ficaria com o time de melhor campanha em um octagonal final. Na véspera da partida decisiva, contra o Fluminense, Romário desentende-se com o técnico Vanderlei Luxemburgo.[6] Chega a marcar na partida e termina o campeonato como artilheiro, mas o título fica com o rival, em uma das partidas mais lembradas do clássico: com a vantagem do empate, o Flamengo chegou a alcançar a igualdade após estar perdendo por 0 x 2, mas o Tri consegue a vitória no final, no famoso gol de barriga de Renato Gaúcho (que assim fica também com o título simbólico de Rei do Rio).

Para o Campeonato Brasileiro de 1995, a diretoria flamenguista tenta superar a decepção contratando Edmundo, para formar com Romário e Sávio o "melhor ataque do mundo". Além do Animal, credenciado com uma passagem vitoriosa pelo Palmeiras e ex-ídolo também do rival Vasco, chegam ainda Ronaldão (outro tetracampeão), Djair e Luís Carlos Winck.[13] A amizade com Edmundo, que resulta até em um rap de ambos, apresentado na chegada do reforço,[17] porém, não resulta em gols suficientes para levar o Flamengo às fases decisivas do Brasileirão - para piorar, vencido pelo rival Botafogo. Paralelamente, a equipe vinha bem na Supercopa Libertadores 1995, chegando à final contra o Independiente. Após perder por 0 x 2 na Argentina, o Flamengo venceu, com um gol de Romário, na volta, mas por apenas 1 x 0, perdendo a última oportunidade de conseguir uma taça no centenário.

No ano de 1996, o Flamengo conquista o Campeonato Carioca de forma invicta. Romário, mais uma vez, é artilheiro do estadual. O Flamengo conquista também a Copa Ouro Sul-Americana. Romário não fica para o Campeonato Brasileiro de 1996: ele se envolve em uma transação mal-sucedida, que trouxe de volta o atacante Bebeto, e o Baixinho acaba emprestado ao Valencia. Naquele ano, o rubronegro termina em 14º lugar no Campeonato Brasileiro. Romário pouco dura no Valencia, onde desentende-se com o técnico Luis Aragonés e vê-se isolado no elenco, que apoia o treinador.[18] Apesar do interesse o Vasco, do São Paulo e até do Boca Juniors, onde atuaria com Diego Maradona e Claudio Caniggia, o jogador programou, ainda antes do fim do ano, sua volta ao Flamengo, após lesionar-se no final de setembro.[18]

Em 1997, vai com o Flamengo a duas decisões, mas ambas são perdidas em empates por 2 x 2: o Torneio Rio-São Paulo, contra o Santos, e a Copa do Brasil, contra o Grêmio, em quem ele chega a marcar. Resta-lhe apenas sua terceira artilharia seguida no Cariocão. Joga apenas quatro partidas no Campeonato Brasileiro de 1997, marcando seus três gols em um único jogo, em um 4 x 1 contra o Goiás. Ele retorna para um novo curto período no Valencia e, sem ele, o Flamengo até consegue chegar às fases finais do Brasileirão, mas é eliminado para o Vasco - futuro campeão.

No Valencia, ele tem novas frustrações: Jorge Valdano, que pedira pela sua volta,[19] demonstra tolerar o comportamento boêmio do atacante, declarando posteriormente que, de fato, o contrato do astro previa em uma cláusula essa liberdade para o Baixinho.[19] Porém, pouco antes da temporada começar, Romário machuca-se. Valdano cai logo após a terceira rodada [19] e quando Romário recuperou-se, desentendeu-se com o novo treinador, Claudio Ranieri.[20] Romário acaba deixado na reserva de Marcelinho Carioca [6] e logo acerta novo retorno ao Flamengo, para o início de 1998.

O ano não se mostra muito melhor: o Estadual, onde é pela quarta vez consecutiva o artilheiro, fica com o Vasco e, no Brasileirão, o time não encontra um padrão de jogo e fica de fora das fases finais. Mais do que isso, Romário acaba cortado da Copa do Mundo de 1998. Em 1999, o título estadual é, sobre o favorito Vasco de Edmundo, reconquistado, e Romário emenda sua quinta artilharia seguida no torneio. Ele se destaca também no Torneio Rio-São Paulo, mesmo com o time não chegando às fases finais: ao driblar Amaral com um elástico e completar a jogada com um gol sem ângulo, ele é aplaudido pela torcida adversária, em um 3 x 0 sobre o Corinthians em pleno Pacaembu.[11]

No Brasileirão, o Flamengo chega a fazer uma boa campanha, mas perde uma série de jogos na reta final e fica novamente eliminado das fases finais.[21] A maior decepção fica na Copa do Brasil: o time vencia o Palmeiras no Parque Antártica por 2 x 1 até os últimos dez minutos da partida, quando os alviverdes marcaram justamente os três gols que necessitavam para classificarem-se.

O maior alento rubronegro em 1999 é a Copa Mercosul. O time vai avançando, com Romário obtendo nova artilharia. Porém, antes da segunda partida da semifinal [22] - contra o Peñarol, em Montevidéu -, Romário e outros jogadores do Flamengo festejam em uma boate de Caxias do Sul horas depois de derrota para o Juventude, válida pelo Brasileiro. A despeito de ter marcado o gol do Flamengo no jogo (1 x 3),[9] apenas o Baixinho acaba punido, tendo seu contrato rescindido por decisão do presidente Edmundo dos Santos Silva.[6] Sem ele, o Flamengo consegue ser campeão da Mercosul.

Sem clube, Romário acerta seu retorno ao Vasco da Gama, depois de onze anos. Deixou o Flamengo como terceiro maior artilheiro do clube, com 204 gols,[9] atrás apenas de Dida e do desafeto Zico. Tendo marcado 46 gols naquele ano, recebe a primeira Chuteira de Ouro premiada pela Placar.

 

Primeiro retorno ao Vasco

Ainda em 1999, joga amistosos na volta à equipe em que revelou, marcando contra o Santa Cruz e o Raja Casablanca.[9] Com o Vasco, disputa o primeiro Mundial de Clubes da FIFA, reeditando na equipe a dupla com Edmundo - abalada fora de campo anos antes, quando o Animal não concordou com as provocações de Romário a Zagallo e Zico na casa noturna que o Baixinho inaugurara pouco tempo após seu corte na Copa do Mundo de 1998, o Café do Gol. Romário marca três vezes no mundial: duas contra o Manchester United e uma contra o Necaxa, ambos na primeira fase do torneio. Na final, em pleno Maracanã, o Vasco acaba perdendo para o Corinthians nos pênaltis e Romário experimenta vaias.

A decepção é temporariamente esquecida na final da Taça Guanabara de 2000: Romário, em sua primeira partida contra o Flamengo desde que deixou a equipe rubronegra, marca impiedosamente três vezes em uma goleada de 5 x 1 que dá o título aos cruzmaltinos,[9] em um domingo de Páscoa em que faz a torcida vascaína bradar "é chocolate!".[11] O título também ofusca na memória dos torcedores as rusgas com Edmundo: um mês antes da decisão, após jogo contra o Olaria, Romário voltou a atacar o antigo amigo, depois de marcar três gols no jogo (vitória por 4 x 1)[9], declarando implicitamente que na "corte vascaína", ele seria o príncipe, o presidente Eurico Miranda seria o rei e Edmundo, o bobo.

A crise só volta a tona após a perda do título estadual: o Flamengo vence o segundo turno e leva a melhor nas finalíssimas contra o Vasco, que perde também o Rio-São Paulo, para o Palmeiras. Mas o respaldo de Romário junto a diretoria faz com que ela prefira se livrar não dele, mas de Edmundo, emprestado ao Santos.

Os títulos perdidos no primeiro semestre são compensados no segundo: em dezembro, o Vasco fatura a Copa Mercosul em uma virada histórica contra o Palmeiras, em pleno Parque Antártica: perdendo de 0 x 3, os cariocas reagem e viram a partida, com Romário marcando três vezes.[9] Ele também leva o Vasco à final da Copa João Havelange, contra o surpreendente São Caetano. Marca um gol em cada partida da decisão (a segunda precisou ser remarcada para janeiro do ano seguinte) e consegue levantar pela primeira vez um Brasileirão, do qual termina como um dos artilheiros. Romário também fatura nova Chuteira de Ouro, após marcar incríveis 73 gols no ano,[9] e a sua primeira (e única) Bola de Ouro da mesma publicação, como melhor jogador da competição, e duas Bolas de Prata: uma por ter sido o melhor atacante, e outra por ser um dos artilheiros da João Havelange, com 20 gols. Outra premiação foi concedida pelo jornal uruguaio El País: Romário, aos 34 anos, foi eleito oficialmente o melhor jogador da América, prêmio que nem em 1994 ele obtivera.

O ano de 2001 acaba não sendo tão bom, embora os gols não parem de sair: Romário é novamente artilheiro do Brasileirão, recebendo nova Bola de Prata. Porém, o Vasco fica sem títulos - com destaque para a terceira perda seguida do Campeonato Carioca para o Flamengo, sofrendo o gol da perda nos minutos finais; Romário não jogou a decisão, estremecendo a relação com a torcida.[24] Na primeira (e única) vez em que disputa a Taça Libertadores da América, Romário marca apenas três vezes,[9] e o Vasco, após terminar a primeira fase com seis vitórias em seis jogos, cai nas quartas-de-final após perder as duas partidas contra o Boca Juniors (detentor do título e futuramente bicampeão seguido).[25] É também o ano em que Romário desentende-se com o técnico da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari: o Baixinho pedira dispensa da Copa América de 2001 para uma cirurgia nos olhos, mas em seguida seguiu com o Vasco para disputar amistosos no México, irritando o treinador.[2]

No primeiro semestre de 2002, ainda marca 26 gols pelo Vasco,[9] mas arranja atritos com a torcida, respondendo a insultos com gestos obscenos.[2] Sem clima, especialmente após não ser chamado por Scolari para a Copa do Mundo de 2002, deixa o Vasco mais uma vez.

 

Fluminense

Romário reaparece no segundo semestre de 2002 como jogador do Fluminense, o terceiro grande carioca a defender - curiosamente, experimentando outra vez a sensação de ser a grande contratação de uma equipe que completava o centenário. Em sua estreia, contra o Cruzeiro, já válida pelo Campeonato Brasileiro de 2002, leva mais de 70 mil pessoas ao Maracanã e corresponde às expectativas, marcando duas vezes em uma goleada de 5 x 1.[26]

A boa campanha inicial é seguida de tropeços - como na goleada por 2 x 5 para o Flamengo, em que Romário perde pênalti,[27] uma derrota por 0 x 3 para o Palmeiras em pleno Maracanã e o pior vexame, um 0 x 6 para o São Paulo. Neste jogo, ainda antes dos gols, Romário chega a empurrar o rosto do colega Andrei. A popularidade do Baixinho com a torcida é visível na reapresentação do time nas Laranjeiras: "Valeu Romário. Faltam agora o César, o Flávio e companhia", dizia uma faixa, em alusão a outros jogadores tries em má fase na época.[28] Mesmo na comissão técnica, sua ascendência é grande, a ponto de se mostrar mais comandante do time do que o próprio técnico Renato Gaúcho e de impor a escalação do amigo Beto, fora de forma.[29]

Ainda assim, o Fluminense consegue se classificar com um gol decisivo de sua maior estrela: a dez minutos do fim, na última rodada da primeira fase, contra a Ponte Preta, ele rouba a bola do zagueiro Marinho na área adversária e sedimenta uma grande virada - até dez minutos antes, o Fluminense perdia por 0 x 2.[30] O Flu elimina o São Caetano e chega às semifinais, contra o Corinthians. O Tri vence no Maracanã por 1 x 0 com gol de Romário, mas acaba eliminado ao perder em São Paulo por 2 x 3 - os paulistas se classificam pela melhor campanha na primeira fase. Ainda assim, o desempenho do Fluminense é considerado satisfatório, ainda mais pelo fato de os três rivais terem brigado contra o rebaixamento naquele ano [29] - em que o Botafogo caiu. E Romário fatura nova Chuteira de Ouro.

Assim como fizeram com Vanderlei Luxemburgo no Flamengo e com Edmundo no Vasco, as regalias e popularidade de Romário acabam fazendo com que um ídolo do time saia irritado. No caso do Fluminense, a irritação com tais favorecimentos - que incluíam até uma comissão técnica própria para Romário, com fisioterapeuta e preparador físico particulares [9] - ocorre com dois no início de 2003: Roni e Magno Alves.[9] Porém, o próprio Baixinho acaba deixando o Flu, em março, seduzido pela proposta de US$ 1,5 milhões do Qatar por três meses de contrato com o Al-Sadd. Esportivamente, a aventura não dá certo: Romário machuca-se, joga apenas três partidas e não marca.[9] "É um craque, de talento indiscutível, mas só de vê-lo no treino já dá para sentir que não tem mais condição de ser profissional", afirma o treinador da equipe, o croata Luka Peruzović.[2]

Ele volta ao Fluminense com a motivação pelo milésimo gol, beirando na época o 800º.[9] Tem uma exibição de gala contra o Guarani, no Maracanã, marcando três vezes, um deles de bicicleta, na vitória por 5 x 2.[9] Mesmo aos 37 anos, termina o ano com 13 gols em 21 jogos pelo Flu, sendo o artilheiro do clube, salvando-o do rebaixamento ao garantir uma série de vitórias,[31] amenizando um atrito com a torcida. Um torcedor em particular chegara a ser agredido por ele nas Laranjeiras, ao trazer galinhas para um treinamento.[24]

Em 2004, o Fluminense reúne, com o aval de Romário, um time de renomados: chegam Ramon, Roger e até o desafeto Edmundo.[32] Assim como em 2003, quando pedira pela contratação de Léo Inácio, volta a exigir a vinda de um amigo, Leonardo Moura.[32] Tais regalias eram fundamentadas na alta expectativa de que Romário se aposentasse ao final do ano.[32] No Carioca, ele é apenas regular; o Fluminense chega à final, mas perde o título para o Flamengo.

No Brasileiro, suas regalias continuam, bem como seu pouco respeito aos técnicos que se seguem na equipe: ao ouvir que Alexandre Gama reclamava das frequentes ausências do Baixinho nos treinamentos, solta que "o cara mal chegou no ônibus e já quer sentar na janelinha".[12] Pressionada pelos patrocinadores da Unimed, que pagam a maior parte do alto salário da estrela, a diretoria impõe a escalação de Romário.[12] Sem tanta participação dele, o clube consegue um nono lugar, em campanha melhor que a do ano anterior. Em sua última partida, é vaiado ao ser substituído após pouco fazer em campo em uma derrota de 1 x 4 para o Guarani no Maracanã.[12]

Sem um bom ambiente, seu contrato não se renova.

 

Terceira passagem pelo Vasco

No início de 2005 há uma indefinição sobre a continuação de sua carreira profissional. Fontes no início do ano chegam a afirmar que ele encerraria de fato a carreira, mas o jogador desconfirma: no dia 23 de janeiro ele faz sua primeira partida do ano, com a camisa do Vasco. Romário surpreende outra vez, ficando na vice-artilharia do Carioca, embora o clube não chegue às finais.[6]

Pela terceira vez no Vasco, Romário mantém suas características: os gols e sua imposição sobre os técnicos. Pelo Campeonato Brasileiro de 2005, chega a fazer a preleção, na presença do treinador Dário Lourenço. O técnico cai após derrota para o Flamengo. Romário também se desentende com Pelé, que lhe sugerira aposentar-se: "O Pelé calado é um poeta. Tinha era que colocar um sapato na boca".[6] No Brasileirão, ele consegue na reta final chegar à artilharia, superando Róbson, do Paysandu. Torna-se, aos 39 anos de idade, o mais velho jogador a terminar o campeonato como artilheiro,[6] o que lhe premia com sua quarta Bola de Prata, a terceira delas como prêmio pela artilharia.

Próximo ao milésimo gol, Romário motiva-se a continuar jogando, recebendo total apoio do Vasco: o clube oficialmente anuncia o Projeto Romário 1000 Gols, que gera polêmica por transformar jogos-treinos contra equipes fracas em amistosos com súmula e uniforme oficial, para facilitar o desejo de Romário.[33]

 

Estados Unidos e Austrália

Em meio ao baixo rendimento e desconforto que suas regalias geravam nos colegas,[32] acaba saindo no início de 2006; quando surge a proposta do Miami, Vasco e Romário decidem aceitá-la: em uma liga menos forte, ele teria melhores condições de se aproximar do milésimo, havendo o compromisso moral de retornar ao Vasco para marcá-lo.[32]

No Miami, Romário joga na United League Soccer, uma segunda divisão, em nível técnico, do futebol estadunidense, uma vez que as equipes principais integram a Major League Soccer.[34] Ali, ao invés de ter colegas enciumados, convive com um elenco cheio de fãs,[32] e recebe tratamento de celebridade da pouca mídia local focada no futebol, ao invés de críticas.[32] Também era poupado de algumas viagens mais longas.[32]

Mesmo com Romário sagrando-se artilheiro da USL, o Miami não conseguiu chegar às fases finais. Com isso, ele, parado nos 985 gols,[32] resolve procurar uma nova equipe. Em outubro, chega a se apresentar como reforço do Tupi, de Juiz de Fora. Porém, acabou impedido de atuar por determinação da CBF, já que acertou seu contrato com o clube mineiro após o término do prazo para transferências internacionais para o futebol brasileiro. Assim, ele acaba indo para o Adelaide United, da Austrália, para receber US$ 250 mil por seis partidas: dois amistosos, um contra o próprio Miami e outro contra um combinado de jogadores da Austrália Meridional,[32] e as quatro primeiras partidas da A-League.

A passagem pelo Adelaide não é boa, com apenas um gol marcado. Em janeiro de 2007, volta pela terceira vez ao Vasco da Gama, acertando sua quarta passagem pelo time.

 

Quatro vezes Vasco

Romário defende a equipe no Carioca, onde alcança o gol 998 antes de um clássico contra o Flamengo. No jogo contra o Fla, o Vasco vinha vencendo por 2 x 0 e Romário marca o 999º gol da carreira a dez minutos do fim. Aos 42 minutos do segundo tempo, ele tem a chance de fazer o milésimo, mas o goleiro Bruno impede com a ponta do pé direito.[32] Romário tem duas chances em outros dois clássicos, ambos contra o Botafogo, mas passa em branco nos dois. Em um deles, o time é eliminado nos pênaltis da decisão, sem que ele cobrasse.

Em 4 de maio de 2007, cria-se nova expectativa, em jogo contra o Gama pela Copa do Brasil. Prevista para São Januário, a partida é "deslocada" para o Maracanã a pedido do atacante, desejoso em fazer seu milésimo gol oficial no estádio. Todavia, ele não marca e o Vasco é eliminado naquele dia pela equipe brasiliense.[35] A marca histórica finalmente vem no dia 20 de maio, em São Januário mesmo, já pelo Brasileirão de 2007. Ele, assim como Pelé, atinge o milésimo cobrando pênalti. O adversário é o Sport.

Com a sua última ambição como jogador finalmente alcançada, Romário joga poucas vezes depois, contra Fluminense (1 x 1), Grêmio (em que marca o 1001º e o 1002º na vitória por 4 x 0) e Botafogo (0 x 4).[32] Nove dias após o jogo contra o Botafogo, sente dores no tornozelo direito.[32] Romário se reveza entre o tratamento e homenagens: saudado no Palácio Guanabara pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, recebe dele o convite para ser embaixador da cidade visando a Copa do Mundo de 2014.[32] Em agosto, recebe em Monte Carlo, Mônaco, um prêmio Golden Foot para jogadores acima de 29 anos, chegando a pôr os pés em uma calçada da fama.[32]

No mesmo mês, tem sua estátua em São Januário inaugurada, no dia em que o Vasco enfrenta o América de Natal, atrás das mesmas balizas onde marcara seu milésimo gol oficial.[36] Ele volta a ser relacionado em um clássico contra o Flamengo, mas não entra em campo, mesmo com o time sendo derrotado,[32] resultado que provoca a demissão do técnico Celso Roth. Romário acaba assumindo como treinador interino para a partida seguinte, o jogo de volta contra o América do México pela Copa Sul-Americana, atuando na mesma partida como técnico e, no decorrer dela, como jogador.[32][37]

Fica efetivado na função até o dia 6 de fevereiro, já pelo Campeonato Carioca de Futebol 2008, quando pede demissão do cargo. Segundo ele, por interferência do presidente Eurico Miranda, que o teria obrigado a escalar Alan Kardec,[16] para vendê-lo ao exterior, enquanto Romário preferia utilizar Abuda.[38] Em fevereiro de 2008, Romário anunciou que se aposentaria no dia 30 de março.[39] Rumores chegaram a surgir ligando-o a uma volta ao Flamengo para um jogo de despedida,[16][38] o que enfureceu Eurico Miranda, que ameaçou tirar a estátua de Romário.[16] O Baixinho chegou a divulgar que pensava em fazer um jogo de despedida no Maracanã. Segundo o próprio Romário, deveria ser algo bem organizado, em grande estilo, em conjunto com a CBF, a Seleção Brasileira e os três grandes clubes que defendeu no Rio de Janeiro.[40]

Em 14 de abril, em um evento realizado no Rio de Janeiro, organizado para o anúncio do lançamento de um DVD sobre sua carreira, porém, Romário anunciou oficialmente sua aposentadoria do futebol.

 

America

America campeão estadual da Série B, capitaneado por Romário.

Em 12 de Agosto de 2009, Romário surpreendeu o Brasil ao anunciar sua volta aos gramados para defender o America, na Segunda Divisão do Campeonato Carioca. Segundo o Baixinho, era para realizar um sonho de seu pai Edevair, notório torcedor americano, falecido em 2008.[41] Romário já havia prometido ao pai, anos antes, de que encerraria a carreira no clube.[5]

Curiosamente, ele já havia disputado um jogo vestindo a camisa rubra do America, enquanto seu pai ainda estava vivo. Fora em 23 de dezembro de 1993, no amistoso festivo que marcou a despedida do ídolo americano Luisinho Lemos, tendo marcado quatro gols contra a equipe dos Amigos do Luisinho, em uma das partidas que ele oficialmente registrava em suas contas de gols, mas que eram contestadas por parte da mídia esportiva.[42]

Já sua estreia profissional pelo clube carioca ocorreu em 25 de Novembro de 2009, na vitória sobre o Artsul, que deu ao America o título do Campeonato Carioca da segunda divisão e marcou o retorno à elite em 2010. Mas esse retorno acabou sendo breve. Após a primeira e única partida oficial com a camisa do America, o Baixinho acabou assumindo a função de dirigente do clube e aparentemente encerrou de vez sua vitoriosa carreira de jogador. Trabalha de graça para o clube que seu pai torcia.[43]

 

Seleção Brasileira

 

1985-1990

Romário começou a jogar pela Seleção Brasileira desde as categorias de base. Em 1985, já enfrentava problemas com treinadores, algo que o marcaria: irritado com a falta de foco de Romário, que gostava de passar o tempo paquerando as mulheres que via, o técnico Gílson Nunes não o coloca na lista dos jogadores que vai disputar (e vencer) o Campeonato Mundial de Futebol Sub-20, na União Soviética.[6]

No ano seguinte, quando tem um começo de carreira profissional arrasador no Vasco da Gama, chega a ser pedido por parte da torcida brasileira para que fosse convocado por Telê Santana para a Copa do Mundo de 1986, mas o técnico sequer o cogita.[6] É apenas em 1987 que Romário finalmente estreia com a seleção principal, recebendo a primeira chance com Carlos Alberto Silva. Marca na estreia, duas vezes, contra a Finlândia.[5] É chamado para a Copa América de 1987. Como reserva, vê o Brasil cair ainda na primeira fase.

Com o mesmo treinador, vai às Olimpíadas de 1988, onde é a grande figura. Em busca do único título futebolístico que lhe faltava, o Brasil chega à final embalado pelos gols de Romário: dois contra a Nigéria (4 x 0), os três da vitória por 3 x 0 sobre a Austrália, na primeira fase; e, a dez minutos do fim na semifinal, o gol de empate em 1 x 1 contra a Alemanha Ocidental de Jürgen Klinsmann, vencida nos pênaltis. Ele inaugura o placar na decisão, contra a União Soviética, mas os adversários viram a partida na prorrogação e ficam com o ouro. Romário termina os Jogos como artilheiro, com seis gols, e sua performance atrai os dirigentes do PSV Eindhoven, que o contratam.

Em 1989, com o Brasil já comandado por Sebastião Lazaroni, Romário volta ao Maracanã para disputar a Copa América, sediada no Brasil. Os brasileiros, que não venciam o torneio continental há mais de 50 anos, conseguem triunfar sobre os rivais. No quadrangular final que decide o torneio, o Brasil vence a Argentina de Diego Maradona, com Romário marcando e chegando a driblar de caneta o astro rival. A partida decisiva é contra o Uruguai de Enzo Francescoli e de vários jogadores do Nacional que meses antes lhe tiraram o título mundial interclubes, disputada em circunstâncias similares da Copa do Mundo de 1950: no mesmo 16 de julho, no mesmo Maracanã, com o Brasil tendo a vantagem do empate na última rodada de um quadrangular.[5] Romário marcou o único gol da partida e entrou de vez nas graças dos torcedores brasileiros.[5]

Ele era um dos trunfos do Brasil para a Copa do Mundo de 1990. No entanto, a três meses do mundial, sofre uma lesão no Campeonato Neerlandês.[6] Trata-se com o fisioterapeuta Nilton Petroni, o Filé - o mesmo que cuidaria de Ronaldo -, e recupera-se a tempo de ir para a Copa.[6] No entanto, só entra na partida contra a Escócia e não marca.[6]

 

Copa do Mundo de 1994

Após a Copa, segue na Seleção. No entanto, após questionar o técnico Carlos Alberto Parreira sobre não ter sido chamado para um amistoso contra a Alemanha em dezembro de 1992 (sem ele, o Brasil perde por 0 x 3), acaba sendo deixado de lado, a despeito da boa fase que mantém no PSV e, posteriormente, no Barcelona.[44] Apesar do clamor popular, devido à decepcionante campanha rumo à Copa do Mundo de 1994, que chega a incluir a primeira derrota brasileira nas Eliminatórias (0 x 2 para a Bolívia, em La Paz), Romário só volta a ser chamado na última partida, por conta da contusão de Müller.[5]

Assim como na Copa América de 1989, o jogo decisivo é contra o Uruguai, no Maracanã. Se perdesse, o Brasil ficaria de fora, pela primeira vez, de uma Copa do Mundo. Romário não deu chances. Em uma das atuações mais inspiradas já vistas no estádio,[5] ele marcou os dois gols da vitória e garantiu seu lugar no mundial dos Estados Unidos, prometendo o tetracampeonato.[5]

Na Copa, em que o estilo pragmático imposto por Parreira marcou o estilo de jogo da Seleção Brasileira, Romário, apesar de suas finalizações minimalistas,[45] foi o responsável pelos momentos de maior brilho do Brasil.[45] Antes da estreia, contra a Rússia, ficou sabendo de provocação do goleiro adversário, Dmitriy Kharin, o mesmo que conseguira sobre ele a medalha de ouro nas Olimpíadas de 1988. Respondeu completando para as redes, de primeira, um escanteio para inaugurar o placar [45] e sofrendo o pênalti que seria convertido por Raí.[45]

Na segunda partida, o Brasil enfrentaria a sensação da Copa anterior, Camarões. Venceu por 3 x 0 com ele marcando o segundo gol, deixando para trás três camaroneses - Émile Mbouh, Rigobert Song e Raymond Kalla - antes de chutar de bico, sua jogada característica,[45] para bater Jacques Songo'o. Na terceira, fez o gol de empate contra a Suécia, passando por dois jogadores e enganando Thomas Ravelli.[45] Mostrou-se decisivo também nas oitavas-de-final, contra os determinados anfitriões estadunidenses, que jogavam no seu dia de independência e estavam com um jogador a mais, dando o passe para Bebeto fazer o único gol da partida.[45]

As quartas-de-final seriam contra rivais que ele conhecia bem após cinco anos de PSV Eindhoven, os Países Baixos. Ali, foi a vez de ele receber assistência de Bebeto e completar de primeira para as redes de Ed de Goeij,[45] inaugurando um placar que terminaria em 3 x 2 para os brasileiros, que, nas semifinais, voltariam a enfrentar os suecos. Em uma partida mais dura que na primeira fase, ele marcou a dez minutos do fim o gol que recolocou o Brasil em uma final: recebeu cruzamento de Jorginho e, entre dois zagueiros suecos bem mais altos que ele, Roland Nilsson e Patrik Andersson, cabeceou de forma certeira, de cima para baixo, sem dar chances a Ravelli.[45]

Na final, contra a Itália, Romário teria a chance de uma pequena vingança pessoal: cinco dos adversários eram jogadores do Milan que meses antes goleara o Barcelona na final da Liga dos Campeões da UEFA: Paolo Maldini, Franco Baresi, Demetrio Albertini, Roberto Donadoni e Daniele Massaro, além dos reservas Alessandro Costacurta e Mauro Tassotti. Foi inclusive sob a marcação de Baresi, "a mais implacável de toda a minha carreira"[46] que ele acabou não produzindo tanto na final, chegando a errar para o gol vazio. O 0 x 0 nos tempos normal e extra encaminhou a disputa para os pênaltis, em que o Baixinho converteu colocadamente a sua cobrança, em que a bola acertou a trave de Gianluca Pagliuca antes de entrar.[45]

Com os erros do próprio Baresi, de Massaro e da estrela Roberto Baggio, a Itália perderia nos penais o tetracampeonato para o Brasil. Romário, tido como o grande responsável pelo tetra brasileiro, foi o segundo jogador a receber a taça, depois do capitão Dunga. Seu papel decisivo na conquista voltou a ser simbolizado na volta ao Brasil, ao aparecer na janela do avião com a taça na mão,[5] e foi bem lembrado pela FIFA ao final do ano, quando a entidade o escolheu o melhor jogador do mundo. Sobre a própria final, já chegou a declarar uma suposta tranquilidade antes da partida:

As pessoas ficam me perguntando o que eu senti naquela hora do Baggio olhando para mim antes da final. Senti p... nenhuma! Eu ligava para o Baggio? Sabia que era um jogador importante da Itália e tal, mas meus conhecimentos sobre futebol são nulos! (...) Não sei escalação de nenhum time, não vejo futebol (...) Não assisto TV. Odeio novela, jornal, programa esportivo...[47]

 

Pós-1994

Não chegou a jogar pelo Brasil nos anos de 1995 e 1996, quando a prioridade do técnico Zagallo era testar jogadores jovens, aceitáveis pelas regras do futebol nas Olimpíadas de 1996. Voltou em 1997, disputando e vencendo naquele ano uma Copa América e uma Copa das Confederações, fazendo elogiada dupla com Ronaldo, dez anos mais novo e que seguia seus passos, no coração dos brasileiros e ao ter trocado também o PSV Eindhoven pelo Barcelona.

Os dois deveriam ser a dupla de ataque titular do Brasil na Copa do Mundo de 1998. Porém, a comissão técnica decidiu por cortá-lo após ele sofrer um estiramento na panturrilha, nos treinamentos, embora Romário garantisse que seria capaz de suportar as dores e de se recuperar a tempo ter condições para disputar a segunda fase[48] (o que ele provaria, ao marcar um gol pelo Flamengo em jogo contra o Internacional dois dias depois de Brasil x Dinamarca, pelas quartas-de-final[9]). O volante Emerson é chamado para ocupar em seu lugar a camisa 11. Apesar da decisão do corte ter sido de toda a comissão, o Baixinho magoa-se principalmente com o coordenador Zico, encarregado de dar-lhe a notícia,[48] e com o técnico Zagallo. Romário os "homenagearia" com caricaturas nos banheiros de sua casa noturna, o Café do Gol, em que o treinador estava sentando no vaso e Zico, à sua espera segurando o papel, o que lhe rende um processo de ambos.[6] Apenas em 2009 pediria desculpas a Zico.[48][49]

Após a Copa, com a derrota brasileira na final contra a anfitriã França, o técnico escolhido é seu desafeto Vanderlei Luxemburgo, que não o utiliza, apesar dos pedidos de que ele fosse chamado com um dos jogadores com mais de 23 anos permitidos para as Olimpíadas de 2000. Volta à Seleção quando Emerson Leão já é o treinador, após o fracasso olímpico de Luxemburgo. Marca sete vezes em duas partidas, ainda em 2000, contra Bolívia (três vezes em um 5 x 0) e Venezuela (quatro vezes em um 6 x 0).[9] Leão, porém, abre mão de Romário e de outros jogadores, levando virtualmente um elenco B para a Copa das Confederações de 2001. Com um desempenho insatisfatório, Leão é substituído por Luiz Felipe Scolari.

Com Scolari, Romário atua pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002 contra o Uruguai, em Montevidéu, em derrota por 0 x 1. O treinador demonstra interesse em chamá-lo para a Copa América de 2001, mas Romário pede dispensa, alegando que irá realizar uma cirurgia nos olhos. Todavia, em seguida ele segue com o Vasco da Gama para amistosos no México, irritando profundamente Scolari, que o descarta de futuras convocações e não abre mão de tal conduta mesmo com a campanha instável do Brasil nas Eliminatórias - a Seleção só se classifica no último jogo, contra a Venezuela. Romário volta a ter clamor público contra o treinador, mas Felipão, em março de 2002, insinua que o veterano só fazia gols contra times fracos: "Não adianta fazer quatro gols no Bambala e no Arimateia. E quando jogar com a Argentina?".[50]

Apoiado até pelo presidente Fernando Henrique Cardoso,[51] Romário chega a chorar em uma entrevista coletiva, em abril de 2002, semanas antes da convocação,[52] para sensibilizar o treinador, mas não tem sucesso: Scolari escolhe Ronaldo, Rivaldo, Luizão, Edílson e Denílson para as posições ofensivas. Romário acaba acompanhando o mundial, em que o Brasil, sem ele, consegue o pentacampeonato, como comentarista da TV Globo.[6] Posteriormente, admitira que teria torcido para o Brasil não ganhar aquela Copa, tendo feito o mesmo em 1998.[47]

Em 2004, voltou a vestir a camisa da Seleção em dois amistosos que reuniram veteranos de 1994. A CBF apoiou, cedendo uniformes oficiais e até o treinador, que era novamente Carlos Alberto Parreira.[12] As duas partidas, contra o México, marcavam também a despedida do goleiro adversário, Jorge Campos.[12] Ainda assim, faria mais uma partida para despedir-se, em 25 de abril de 2005, contra a Guatemala. Ele marca o segundo gol da vitória por 3 x 0 - tento que ele dedicaria à recém-nascida filha Ivy, possuidora de síndrome de Down, ao exibir uma camisa que vestia por baixo do manto canarinho, com a frase "Tenho uma filhinha Down que é uma princesinha" [53] - e chora ao sair para ser substituído, aplaudido de pé pelos torcedores.[6]

 

Romário e os mais de 1000 gols

 

Romário é o segundo maior artilheiro do futebol mundial, superado apenas por Pelé. Ele também é o terceiro maior artilheiro com a camisa da Seleção Brasileira, atrás de Pelé e Ronaldo. Porém, sua média de gols pela Seleção supera os dois.

Segundo pesquisa da Revista Placar, Romário é o jogador com maior número de gols em jogos oficiais da história do futebol, superando o próprio Pelé. Isto se deve ao fato de Pelé ter feito muitos gols nas excursões do Santos mundo afora pelos anos 1960, além do número muito menor de jogos oficiais no calendário futebolístico da época.[3] A mesma publicação, todavia, questionou a marca do milésimo gol; quando o Baixinho somava, de acordo com as próprias contas, 955 gols, a Placar mostrou um levantamento questionando a validade de 101 deles - dentre os quais, partidas pelos juvenis do Olaria e do Vasco, jogos festivos que contaram com jogadores aposentados ou não-profissionais e até em partidas pelo PSV Eindhoven não-registradas pelo próprio clube.[42] De acordo com a revista, uma contagem mais séria ainda o deixava, naquele momento, com 854.[42]

A polêmica em torno do milésimo prosseguiria com o Projeto Romário 1000 Gols, pelo qual o Vasco transformara jogos-treino em amistosos, gerando crítica de setores da imprensa e de ex-jogadores; Roberto Dinamite, Cláudio Adão e Dario mostraram-se contra as medidas do Vasco, afirmando que também teriam feito mais de mil gols se seus jogos-treinos e partidas de categorias infantis também fossem contabilizadas.[33] Romário retrucou: "Pelé já marcou gol contra o Exército, bateu pênalti de terno e gravata quando Wembley foi demolido e valeu. Por que não posso contar meus gols contra times de segunda e terceira divisão?".[33] A FIFA, entidade máxima do futebol, reconhece o milésimo gol de Romário.

Oficialmente, o milésimo gol da carreira de Romário aconteceu no dia 20 de maio de 2007. O gol foi marcado em um jogo do Vasco, sob comando do técnico Celso Roth, contra o Sport, no estádio de São Januário. O jogo foi válido pela 2a rodada do Campeonato Brasileiro de 2007. O gol foi de pênalti: após o cruzamento de Thiago Maciel, o zagueiro Durval cortou a bola com a mão e o árbitro Giuliano Bozzano assinalou a penalidade máxima. Magrão sofreu o gol. Romário foi homenageado pelo Vasco após o milésimo com a inauguração de sua estátua em São Januário atrás das balizas onde o milésimo foi marcado, além da imortalização de sua camisa 11 no clube.

Recentemente, Romário voltou a campo no último domingo de junho de 2008. O ex-atacante participou de um jogo festivo nas Ilhas Cayman (Grand Cayman) pela Seleção do Resto do Mundo, contra a seleção local. A partida foi para celebrar o encerramento da carreira do melhor jogador das Ilhas, Lee Ramoon, que jogou 25 anos pela seleção do país. Romário, aos 27 minutos da etapa final, cobrando pênalti sofrido pelo jamaicano Kevin "Pelé" Wilson, fez 2 a 1 para os visitantes, contabilizando 1003 gols. A Globo também achou em 2007 três gols que não foram contados na carreira do baixinho. Um pela seleção do tetra de 1994 (um amistoso no qual reuniu craques do torneio, como Bebeto) e outros dois de jogos que o Vasco da Gama havia feito ainda antes de Romário ir para a Europa, nos anos 1980. Logo, se forem contados esses três gols, a sua conta chega a 1006.

 

Além dos gramados

 

Filho de Edevair de Souza Faria e Manuela Ladislau Faria, Romário, casado três vezes na vida, tem seis filhos, com quatro diferentes mulheres. Com a primeira esposa, Mônica Santoro, teve Moniquinha e Romarinho.[6] Separado de Mônica devido a suas aventuras extraconjugais,[4] Romário depois casou-se com Danielle Favatto, com quem teve Daniellinha.[6] Danielle separou-se dele após a descoberta de que Romário tivera relacionamento extraconjugal com a atriz Edna Velho, com quem teve Raphael.[6] Sua terceira esposa foi Isabelle Bittencourt, com quem teve Isabellinha e Ivy.[6]

Ele chegou a criar o Café do Gol, que não deu certo em duas tentativas - na primeira, como casa noturna e, na segunda, como bingo. Ambas duraram dois anos cada.[54] Posteriormente, a empresa responsável pelas obras processaria Romário, alegando falta de pagamento. Romário defendeu-se afirmando que o débito teria se extinguido em decisão judicial de 2005.[43] Outras dívidas chegaram a colocá-lo uma noite na cadeia, em 2009, quando atrasou o pagamento da pensão dos filhos que tem com Mônica Santoro.[43]

Ele posteriormente entraria com um processo contra a ex-esposa, sustentando que as pensões vinham sendo desviadas para familiares de Mônica, que teriam inclusive adquirido imóveis com o dinheiro.[43] Romário já teve, anteriormente, de prestar depoimento em delegacia por conta de um desses parentes, seu ex-cunhado, que apresentara Romarinho para o traficante Bem-Te-Vi, descrito como um herói para o garoto.[55] Na época, garantira que desconhecia o que se passava;[55] de fato, Romário resistia aos inúmeros convites do próprio Bem-Te-Vi para jogos na Rocinha, consciente de que teriam sua imagem usada pelo traficante, só tendo aceitado uma, em que havia a promessa de destinar os fundos para ajudar crianças que, assim como sua filha Ivy, têm síndrome de Down.[55] Desde o nascimento dela, Romário vinha se interessando pelo causa, tendo se tornado um grande ativista.[56]

Famoso por colecionar desafetos no futebol, Romário teve desentendimentos com Pelé, Zico, Zagallo, Vanderlei Luxemburgo, Luiz Felipe Scolari e outros. Chegou a tripudiar também sobre Diego Maradona, em 1999, em entrevista à Trip: "Fiz mais gols e ganhei mais do que ele. No futebol moderno dos últimos 15 anos, Maradona só perde para mim".[2] Em 2004, foi a vez de Romário disparar contra Casagrande, no programa televisivo de Jorge Kajuru: "Ele nunca foi campeão de p... nenhuma. Quem é ele para falar de mim?", declarando na mesma entrevista que fizera sexo na concentração brasileira durante a Copa do Mundo de 1994 e expondo seu rancor por quem não o apoiara em 1998.[57] No mesmo ano, Ronaldo, seu ex-parceiro de Seleção Brasileira, também incomodou-se com Romário, após o Baixinho se declarar o melhor jogador que o Brasil já teve depois da geração de Pelé.[2] "É muita pretensão alguém dizer que é o melhor", disse o Fenômeno.[2]

Já declarou que não havia amizade verdadeira no futebol,[47] já tendo rusgas com outros companheiros de ataque, como Bebeto e Edmundo. Chegou a ter também uma relação distante com outro deles, Hristo Stoichkov, o amigo que lhe apoiara quando Seu Edevair fora sequestrado, pouco antes da Copa do Mundo de 1994,[4] e que havia sido convidado para ser padrinho de Romarinho - não o pôde devido a um compromisso com o Zhelyu Zhelev, presidente da Bulgária, além de sofrer com falta de disponibilidade nos voos para o Brasil, na época da cerimônia.[4] No Flamengo, no Vasco e no Fluminense, Romário se sobrepôs a técnicos.

Mesmo na Europa teve regalias, tendo sua boemia tolerada no PSV Eindhoven e no Barcelona; o Valencia foi um caso raro de clube onde ele acabou sendo preterido em favor dos treinadores. Por outro lado, foi justamente este o clube onde ele, ainda em sua melhor forma, menos se destacaria. Jorge Valdano foi o único técnico de Romário no Valencia que concordou com um tratamento diferenciado para o Baixinho, mandado embora duas vezes do clube após não entender-se com Luis Aragonés e, posteriormente, Claudio Ranieri: "Não dá para colocar os jogadores dentro do mesmo molde porque não são todos iguais. (...) Para mim valem os privilégios, mas é fundamental que o grupo seja maduro e possa aceitá-los".[19] Renato Gaúcho, que o treinou no Fluminense, declarou no mesmo sentido que "Quando cheguei, eles [os privilégios] já existiam. Romário era o carro-chefe, trazia os patrocínios e a torcida, era quem fazia os gols. (...) Os gols dele garantiam o meu emprego e o bicho da rapaziada. Não adianta não dar privilégio para um astro e de repente ele ficar bravo e não render. (...) Só não pode extrapolar".[58]

Em 2001, chegou a ser satirizado no programa de Chico Anysio, Escolinha do Professor Raimundo, pela paródia Ramório. Em 2009, anunciou sua entrada na política, filiando-se ao PSB.[59], sendo eleito em sexto lugar deputado federal pelo Rio de Janeiro em 2010.

 

Títulos

 

Vasco da Gama

Campeonato Brasileiro: 2000

Copa Mercosul: 2000

Campeonato Carioca: 1987 e 1988

Troféu Ramón de Carranza: 1987

 

Flamengo

Copa Mercosul: 1999

Copa Ouro Sul-Americana: 1996

Copa dos Campeões Mundiais: 1997

Campeonato Carioca: 1996 e 1999

 

PSV Eindhoven

Campeonato Neerlandês: 1988-89, 1990-91 e 1991-92

Copa dos Países Baixos: 1989 e 1990

Supercopa dos Países Baixos: 1992

 

Barcelona

Campeonato Espanhol: 1993-94

 

América-RJ

Campeonato Carioca - Série B: 2009

 

Seleção Brasileira

Olimpíadas de Seul: Medalha de prata em 1988

Copa América: 1989 e 1997

Copa do Mundo FIFA: 1994

Copa das Confederações: 1997

 

Prêmios individuais

Segundo melhor jogador do mundo pela FIFA em 1993

Melhor jogador do mundo pela FIFA em 1994

Melhor jogador da Copa do Mundo em 1994

Quarto melhor jogador do mundo pela FIFA em 1995

30º Maior jogador Sulamericano do Século XX Pela IFFHS: 1999

11º Maior jogador Brasileiro do Século XX pela IFFHS: 1999

17º Maior jogador do Século XX pela revista - France football: 1999

5º Maior Jogador do Século XX pela votação FIFA Internet: 2000

18º Maior Jogador do Século XX pelo Grande Júri FIFA: 2000

FIFA 100: 2004

Melhor jogador das américas revista El País em 2000

Bola de ouro revista Placar em 2000

Bola de prata revista Placar em 2000, 2001 e 2005

Chuteira de ouro revista Placar em 1999, 2000 e 2002

Chuteira de ouro pela CBF em 2001 e 2005

 

Artilharias

1986 - Vasco - Campeonato Carioca com 20 gols

1987 - Vasco - Campeonato Carioca com 16 gols

1988 - Brasil - Torneio Olímpico de Futebol com 7 gols

1989 - PSV - Campeonato Neerlandês com 19 gols

1990 - PSV - Campeonato Neerlandês com 23 gols

1990 - PSV - Liga dos Campeões da UEFA com 6 gols

1991 - PSV - Campeonato Neerlandês com 25 gols

1993 - PSV - Liga dos Campeões da UEFA com 7 gols

1994 - Barcelona - Campeonato Espanhol com 30 gols

1996 - Flamengo - Campeonato Carioca com 26 gols

1997 - Flamengo - Campeonato Carioca com 18 gols

1997 - Flamengo - Torneio Rio-São Paulo com 7 gols

1997 - Brasil - Copa das Confederações com 7 gols

1998 - Flamengo - Campeonato Carioca com 10 gols

1998 - Flamengo - Copa do Brasil com 7 gols

1999 - Flamengo - Campeonato Carioca com 16 gols

1999 - Flamengo - Copa do Brasil com 8 gols

1999 - Flamengo - Copa Mercosul com 8 gols

2000 - Vasco - Mundial de Clubes da FIFA com 3 gols

2000 - Vasco - Campeonato Carioca com 19 gols

2000 - Vasco - Copa Mercosul com 11 gols

2000 - Vasco - Torneio Rio-São Paulo com 12 gols

2000 - Vasco - Campeonato Brasileiro com 20 gols

2001 - Vasco - Campeonato Brasileiro com 21 gols

2005 - Vasco - Campeonato Carioca com 7 gols

2005 - Vasco - Campeonato Brasileiro com 22 gols

2006 - Miami - USL Soccer com 20 gols

Página criada por romario10 com a colaboração de brunno89.

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